George Eastman e Steve Jobs

Publicado janeiro 20, 2012 por ssalvess
Categorias: Arte, Arte e pensamento, Cinema

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George Eastman: mais importante para a história do lúdico na tecnologia que STEVE JOBS
           Foto: Sandro Alves  – Filme usado: T-MAX 100, da Kodak
(1990 [circa])

Eu acredito que sofremos de um etnocentrismo vertical. Quero dizer que olhamos demais para o nosso umbigo temporal, a nossa “Era”. Estamos quase sempre superestimando os feitos contemporâneos. Não costumamos olhar oao menos um milímetro — ou nanômetro — atrás de nossos narizes. É como se o passado — e o passado da tecnologia também — não existisse.

Eu me lembrei, hoje, dia da concordata da Kodak, de George Easteman. E isso me levou a pensar, quase automaticamente,  na recente e ainda atual canonização do grande capitalista Steve Jobs.  (Por favor, não canonizem o Eastman também!  :# )

(A fonte é Wikipédia; lá só tem isso sobre o inventor do filme fotográfico que, dentre outras coisas, possibilitou, quase que imediatamente, a invenção do cinema, pois podia ser perfurado e dava firmeza para o movimento das ‘películas’)

“George Eastman (Waterville, Nova Iorque, 12 de julho de 1854 — Rochester, Nova Iorque, 14 de março de 1932) foi um empresário estadunidense.
Fundou a Kodak e foi inventor do filme fotográfico, que permitiu a popularização da fotografia.
George Eastman cometeu suicídio com um tiro de arma de fogo no coração e deixou uma nota de suicídio, onde dizia somente: “Para os meus amigos. Meu trabalho está feito. Por que esperar?”. Seu funeral deu-se na Igreja Episcopal St. Paul, em Rochester. George Eastman nunca se casou, e foi enterrado no jardim da companhia que fundou, a Kodak, em Rochester, estado de Nova Iorque.”

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    • Alves Silveira Sandro Sim, mais importante que o Jobs. Ao menos até esse momento da história.

      há 5 minutos · Curtir
    • Alves Silveira Sandro Tudo o que faltava para o cinema ser inventado era o filme que George Eastman lançou. Ele era resistente e podia ser perfurado. A perfuração do filme é fundamental para o cinema, para a câmera e o projetor funcionarem. Eastman também lançou a Brownie. Essa câmera fotográfica foi uma espécie de “Iphone” da virada do século XIX para o XX.

      há 2 minutos · Curtir
    • Alves Silveira Sandro ‎”Você aperta o botão e nós fazemos o resto
      http://en.wikipedia.org/wiki/Brownie_(camera)

      en.wikipedia.org

      Brownie is the name of a long-running and extremely popular series of simple andVer mais
      há ± um minuto · Curtir ·
    • Alves Silveira Sandro Inúmeras crianças e adolescentes passaram a fotografar a partir de 1900, com o advento da Brownie. Henri-Cartier Bresson, o fotógrafo que, certamente, mais ‘fez escola’ ao longo da história, foi um deles.

      alguns segundos atrás · Curtir
      • O que fazemos durante as horas de trabalho determina o que temos. O que fazemos nas horas de lazer determina o que somos.”
      – What we do during our working hours determines what we have; what we do in our leisure hours determines what we are.

      – George Eastman, citado em “George Eastman” – página , Oscar N. Solbert, Eastman Kodak Co., 1953, 22 páginas.
      E assim termina essa postagem de blog siamesa de facebook.
      Salves!
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Ezra Pound e a imagem poética

Publicado julho 15, 2011 por ssalvess
Categorias: Sem categoria

ALGUMAS PROIBIÇÕES
(Trecho de texto de Ezra Pound)

“Imagem” é aquilo que apresenta certo complexo intelectual e emocional, num determinado instante. Emprego a palavra “complexo” sobretudo no sentido técnico utilizado pelos psicólogos mais modernos, como Hart, embora possa haver desacordo quanto à nossa maneira de aplicá-la.

A apresentação instantânea desse “complexo” é que dá o sentido de súbita libertação; de emancipação dos limites de espaço e tempo; de crescimento repentino que experimentamos diante das maiores obras de arte.

É preferível apresentar uma só Imagem no decurso de uma existência do que produzir obras alentadas.

Na opinião de algumas pessoas, entretanto, isto tudo pode ser objeto de discussão. O que se impõe de imediato é o estabelecimento de uma lista de proibições destinada aos que começam a escrever versos. Não me será possivel apresentar todas elas sob a forma do negativo mosaico.

Para começar, considere as três proposições (exigência de tratamento direto, economia de palavras, e seqüência da frase musical) não como dogma – nunca considere coisa alguma como dogma – mas como resultado de uma longa meditação a qual, mesmo que seja de outrem, pode merecer consideração.

Não dê atenção às críticas de indivíduos que jamais tenham escrito alguma obra digna de nota. Considere as discrepâncias entre o que os poetas e dramaturgos gregos realmente escreveram e as teorias dos gramáticos greco-romanos, elaboradas com a finalidade de explicar-lhes a métrica.


	

Elogio da Morte (Lima Barreto)

Publicado junho 5, 2011 por ssalvess
Categorias: Sem categoria

ELOGIO DA MORTE
(Lima Barreto)

“A vida não pode ser uma dor, uma humilhação de contínuos e burocratas idiotas; a vida deve ser uma vitória. Quando, porém, não se pode conseguir isto, a Morte é que deve vir em nosso socorro. ” (Foto: Sandro Alves)

Abaixo o genial e atemporal texto supremo escritor Brasileiro, Lima Barreto:

“Não sei quem foi que disse que a Vida é feita pela Morte. É a destruição contínua e perene que faz a vida.

A esse respeito, porém, eu quero crer que a Morte mereça maiores encômios.
É ela que faz todas as consolações das nossas desgraças; é dela que nós esperamos a nossa redenção; é ela a quem todos os infelizes pedem socorro e esquecimento.
Gosto da Morte porque ela é o aniquilamento de todos nós; gosto da Morte porque ela nos sagra. Em vida, todos nós só somos conhecidos pela calúnia e maledicência, mas, depois que Ela nos leva, nós somos conhecidos (a repetição é a melhor figura de retórica), pelas nossas boas qualidades.
É inútil estar vivendo, para ser dependente dos outros; é inútil estar vivendo para sofrer os vexames que não merecemos.
A vida não pode ser uma dor, uma humilhação de contínuos e burocratas idiotas; a vida deve ser uma vitória. Quando, porém, não se pode conseguir isto, a Morte é que deve vir em nosso socorro. A covardia mental e moral do Brasil não permite movimentos de independência; ela só quer acompanhadores de procissão, que só visam lucros ou salários nos pareceres. Não há, entre nós, campo para as grandes batalhas de espírito e inteligência. Tudo aqui é feito com o dinheiro e os títulos. A agitação de uma idéia não repercute na massa e quando esta sabe que se trata de contrariar uma pessoa poderosa, trata o agitador de louco.
Estou cansado de dizer que os malucos foram os reformadores do mundo.
Le Bon dizia isto a propósito de Maomé, na sua Civilisation des Arabes, com toda a razão; e não há Chanceler falsificado e secretária catita que o possa contestar.
São eles os heróis; são eles os reformadores; são eles os iludidos; são eles que trazem as grandes idéias, para melhoria das condições da existência da nossa triste Humanidade.
Nunca foram os homens de bom senso, os honestos burgueses ali da esquina ou das secretarias “chics” que fizeram as grandes reformas no mundo.
Todas elas têm sido feitas por homens, e, às vezes mesmo mulheres, tidas por doidos.
A divisa deles consiste em não ser panurgianos e seguir a opinião de todos, por isso mesmo podem ver mais longe do que os outros.
Se nós tivéssemos sempre a opinião da maioria, estaríamos ainda no Cro-Magnon e não teríamos saído das cavernas.
O que é preciso, portanto, é que cada qual respeite a opinião de qualquer, para que desse choque surja o esclarecimento do nosso destino, para própria felicidade da espécie humana.
Entretanto, no Brasil, não se quer isto. Procura-se abafar as opiniões, para só deixar em campo os desejos dos poderosos e prepotentes.
Os órgãos de publicidade por onde se podiam elas revelar, são fechados e não aceitam nada que os possa lesar.
Dessa forma, quem, como eu, nasceu pobre e não quer ceder uma linha da sua independência de espírito e inteligência, só tem que fazer elogios à Morte.
Ela é a grande libertadora que não recusa os seus benefícios a quem lhe pede. Ela nos resgata e nos leva à luz de Deus.
Sendo assim, eu a sagro, antes que ela me sagre na minha pobreza, na minha infelicidade, na minha desgraça e na minha honestidade. Ao vencedor, as batatas!”

“A partir de” Arnaldo Baptista: um embrião

Publicado abril 16, 2011 por ssalvess
Categorias: Sem categoria

Excelentes os textos de Marcelo Dolabela sobre Arnaldo. Ao lado dos de Sonia Maia são os melhores. Digo isso porque eles cumprem a função de informar de de uma maneira adequada um público sedento de informações sobre o Arnaldo. Ultimamente essa informação também vem do canal oficial do Arnaldo no youtube.

Os textos de Dolabela e Maia me estimulam a levar adiante um grande desejo, escrever sobre o Arnaldo. Eles vêm trazer uma literatura “sobre”, a respeito do Arnaldo, que nunca tivemos. Para a nossa felicidade, recentemente, passamos a ter acesso também a uma literatura do Arnaldo.

Pretendo elaborar primeiro alguns textos críticos mais convencionais sobre o Arnaldo. O que não me agrada, mas se me apresenta como uma necessidade prévia a um passo maior, mais interessante. Depois, prentendo dar seguimento a uma tentativa de escrever “a partir” do Arnaldo. Escrever sobre a identidade nacional, a tropicália, a musicalidade brasileira, usando o Arnaldo como “um filtro, um crivo”, um prisma a partir do qual tento mirar campos outros que não o de sua obra e vida. há 53 minutos · Curtir · 1 pessoa Alves Silveira Sandro.

‎* “a partir de/o” = Rosalind Krauss em “O fotográfico” escrevendo a “partir da foto”, textos sobre artes plásticas. Walter Benjamin escreveu sobre Baudelaire, mas em larga medida escreveu a partir de Baudelaire sobre a modernidade.

São poucos artistas que oferecem essa possibilidade de servirem de crivo, de prisma, de “objeto teórico” para que possamos, por meio deles, mirar temas outros, campos outros. O Arnaldo é prenhe de toda densidade, inquietude, “concentração de pensamento” e outros atributos inimagináveis para que, a partir dele, possamos estudar outras coisas. Viva Arnaldo!

(O texto acima é uma versão revista e aumentada de um outro composto por duas notas (comentários) publicadas no facebook)

Sandro Alves

Sunshine: a canção que toca os limites da comunicabilidade

Publicado outubro 16, 2010 por ssalvess
Categorias: Sem categoria

Mais uma dessas coisas que pulam do msn, do orkut, de um e-mail ou do facebook para um blog. Se bem que nesse caso tudo começou com um texto. Acordei e pensei: Sunshine toca tanto o ouvinte, comunica tanto, justamente porque trata dos limites da comunicação e da comunhão. A palavra comunicação tem sua origem no termo comunhão (ver http://comunhaodocao.blogspot.com ). Enfim, continuo fruindo, curtindo muito, extático e cheio de entusiasmo diante de Sunshine, de Arnaldo Baptista.

  • o 

    É extasiante! Observei, certo dia, ao ouvi-la, que “como vai você/ assistiu ao futebol” representa a linguagem verbal do cotidiano assim como, no outro extremo, “tudo, tudo, tudo isso/ é melhor e não faz mal”, representa a linguagem construída da publicidade. É como se “tudo isso é melhor e não faz mal” fosse o sologan dos sologans ou, o que é mais correto, o anti-solgan por excelência. O fato é que esta relação entre o direto e o mediado, entre a conversa face a face e a comunicação dirigida às massas, matem relações com outras partes da letra. Estou tentando escrever sobre essa canção há anos. Não quero ficar na análise do conteúdo, vivo tentando perscrutar essa forma. O jeito, enquanto o texto não sai, é curtir, ouvir: bap tura yéé´hh!!!
    há 2 minutos ·
  •  

    Alves Silveira Sandro O sol se desloca e vai “nascendo” (eu quero ver o nascer do sol”). É uma seqüencia especular que a humanidade frui desde sempre. A seqüência de comerciais na tv se contrapõe, forma uma antítese com a do sol nascendo. São os extremos da comunicabilidade e da comunhão que dançam as danças dos Deuses “mortais” nessa entusiástica canção! 

    há 2 segundos · 

S.Alves!

Trabalho, ócio, workaholic, senso comum e narcotização

Publicado outubro 7, 2010 por ssalvess
Categorias: Sem categoria

Muitas vezes às idéias vem em boa medida quando estou lá pelo facebook. E hoje a idéia teve o facebook como mote, mas foi bem além. Fui parar nas acefalias de vícios do senso comum. Padrões do tipo não tão difícil de perceber para questionar. Entrevi uma relação com a narcotização dos teóricos da comunicação funcionalistas americanos. Mas a aferição dessa intuição eu fico devendo. Vejam o restante, é um começo. Mande suas colaborações críticas.

Não poste muito no facebook! Os falsos e os verdadeiros workaholics vão pensar que você não trabalha. Ah! Que bobabem, pode postar sim, mesmo que se importe com o que os outros pensam. O fato é que na maioria das vezes os falsos workaholic não pensam, são acéfalos se passando por gente viva, zumbis do módulo de produção capitalsita.

há 8 horas  

 

Alves Silveira Sandro Ah! Sim! E os verdadeiros Workahlics ? Eles não têm tempo para fecebook. Já eu, não vejo limite entre trabalho e o resto da vida; esse distanciamento, essa acepcia, é por demais carteziana para meu sangue negro-português-índio-holandês. 

há 8 horas · 

    • Alves Silveira Sandro Eu sou acelerado. Se entre uma reflexão sobre o meu trabalho e outra, uma roupa e uma louça que eu lavo, eu não postar algo no facebook, não fizer uma pesquisa no google, não curtir um tube, não postar algo em um dos meus blogs etc, eu sofro mais, só isso!
  • Alves Silveira Sandro O pior não é quererem que façamos coisas o tempo todo, o pior é a existência de um padrão acéfalo do senso comum que exige que se repita, difunda, divulgue: eu trabalho; eu trabalho muito; nooosssa como estou trabalhando! É como se a ausência dessas manifestações nos tornacem aleijões. E o contrário é bem mais provável! 

    há 59 minutos ·
  • Alves Silveira Sandro Quer dizer, o pior é essa desorientação e ações cegas relativas ao trabalho. Todas são narcotizações para eles conseguirem com que façamos coisas — para eles — o tempo todo: evolução da escravidão? Escravidão evolui? Trabalho é &*%##T*!!!

“Não dá prá voltar para uma casa que não existe mais” (Jonh Lennon)

Publicado setembro 26, 2010 por ssalvess
Categorias: Sem categoria

Em uma entrevista concedida em dezembro de 1980, Jonh Lennon diz:

“Não dá prá voltar para uma casa que não existe mais”. A pergunta que o levou a falar isso foi: “Não acha  que seria interessante — nada transcedental, só interessante — vocês se reunirem, com essas novas experiências, e promoverem esse cruzamento de talentos?”

Lennon respondeu assim:

“Não seria interessante trazer Elvis de volta para seus anos iniciais? Mas não quero tirá-lo do túmulo. Os Beatles não existem e não podem existir de novo. John Lennon, Paul McCartney, George Harison e Richard Starkey podem fazer um concerto, mas não serão mais os Beatles, porque não temos mais 20 anos. Não podemos ser o que não somos. Teremos de ser crucificados outra vez? De andar sobre as águas de novo, só porque um bando de idiotas não assistiu à cena na época, ou não acreditou naquilo que via? Nunca. Não dá para voltar para uma casa que não existe mais.”

Depois dessa, eu só penso no Pergunta tardia, do romance Dom Casmurro, de Machado de Assis. Leiam, é uma curtição: a casa que não existe mais. Simples como acordar de manhã ou cair no sono de noite.

Sandro Alves

http://www.youtube.com/watch?v=sYstxLoOnYA

Sandro Alves - Foto de Matheus Martins Silveira